domingo, 6 de maio de 2012

ANALISANDO, ENTENDENDO, APRENDENDO E VIVENCIADO

Dividi a turma em dois grupos e entreguei um kit com material a cada um. Ambos receberam um texto com a "PARÁBOLA DO SEMEADOR". Orienteai para que lessem e analisassem o texto em grupo.
Solicitei ao primeiro grupo que confeccionasse um livreto sobre o texto utilizando ilustrações.
Sugeri ao segundo grupo  que fizessem um painel com ilustrações relacionadas ao texto lido.
O resultado foi surpreendente. As ilustrações explicitavam tudo que eles absorveram. Cada grupo falou sobre o que entenderam. E o que foi mais interessante é que eles trouxeram exemplos da sua própria realidade. Compararam a parábola com situações reais vivenciadas por eles.
Houve ai uma leitura e re-leitura. Eles apenas não leram o texto, mas analisaram, entenderam, houve aprendizado porque vivenciaram. A leitura foi  compartilhada pela turma e o resultado foi excelente, principalmente pelo resultado da arte que sempre está presente no nosso trabalho.

DISCIPLINA, COMPROMISSO E RESPONSABILIDADE

Havia solicitado aos alunos que decorassem uma pequena estrofe de alguns poemas distribuídos à turma. Na semana seguinte, quase ninguém cumpriu a tarefa determinada.
Diante dessa situação citei as palavras: DISCIPLINA, COMPROMISSO e RESPONSABILIDADE. Pedi aos mesmos que conceituassem -nas. Depois conversamos, provocando um debate sobre essa temática. Mostrando a necessidade e a importância de termos a disciplina, o compromisso e a responsabilidade em diversas situações. Houve um grande aprendizado. Levei-os a refletirem sobre sua realidade e sobre a mudança de comportamento e a novas atitudes que deveriam ter diante dessa situação.

domingo, 29 de abril de 2012

UMA AULA BEM DIFERENTE COM MATERIAL SUCATEADO

Naquela tarde entrei na sala com duas caixas que estavam fechadas e contendo material que geralmente vai pro lixo: embalagens de sucos, creme dental, latas, sacolas, garrafas, caixinhas de fósforos e outros.Logo alguém perguntou o que tinha na caixa e de prontidão falei que era lixo. Havia trazido lixo para a classe. Ficaram abismados. Como alguém poderia trazer lixo?

Falei que muita gente joga lixo por ai. Dar lixo de presente à Natureza. Daí surgiu um debate sobre a Poluição, O desmatamento da Natureza e outros assuntos foram somados até chegarmos a conscientização ecológica. Dentre várias sugestões foI focado a utilização dos copos descartáveis e outras embalagens. Uma adolescente sugeriu para que cada um trouxesse seu canequinho e a turma deixaria de usar os descartáveis.

Depois de várias falas, dividi a turma em dois grupos. Solicitei que discutissem em grupo e planejassem montar algo com o material que estava na caixa. Além do material sucateado havia alguns acessórios. Coloquei em cada caixa uma tesoura, uma cola, uma fita adesiva - para ver como partilharia esses objetos.

Após algum tempo encontravam-se  duas montagens: primeiro um grupo apresentou um robô e, depois, o outro grupo apresentou algo que representava um piquenique.

A turma era formada por  pessoas que faziam parte de crenças bem diversificadas: evangélicos, católicos, espíritas e ateus. Focamos a importância do trabalho em equipe, a organização dos grupos, a forma que se uniram para atingir seus objtetivos e também o que prejudicou o andamento das atividades, pois havia alguns que brincavam com alguns materiais e atrapalhavam a execução do projeto.

Perguntei o que levou o grupo a construir aquela obra e um aluno que se diz ateu falou que ele teve a ideia e o grupo aceitou e colocou em prática. Indaguei de onde viria essa ideia e alguem respondeu que veio da mente. Depois perguntei o porquê ter vindo aquela ideia da mente... Ninguém respondeu.

E continuei questionando como ideia viria da mente... Depois interroguei o que fazem quando querem pesquisar algo e disseram-me que vão à internet e fazem uma busca. Então provoquei mais ainda: mas, como o assunto vai parar na internet? Disseram que antes alguém armazenou tudo lá. Salva-se o assunto num arquivo e pronto.

E nossa mente é como o computador? - perguntei e um garoto respondeu: - não, mas é como se fosse. Temos um arquivo mental - mais uma questão a debater. Deixei que comentassem e vem em seguida algumas colocações, porém não nos aprofundamos muito, mas ficando claro que a mente era algo imaterial.

Foi uma aula maravilhosa! Falamos sobre Ecologia - "consciência ecológica"; trabalhamos a criatividade através da arte; alguns conceitos interessantes ligados a questão inter-religiosa  através do poder que temos de criar, de inventar coisas novas; uma visão espiritualista porque trouxeram a questão de arquivo mental,  que a mente não é algo material; que somos co-criadores e fomos criados por um SER Supremo - Se fomos criados então existe um Criador.

Tudo isso aconteceu numa diversidade de opinião e respeito pelas crenças de todos ali presentes. Foi um trabalho  multidisciplinar, pois as visões diferentes enriqueceram bastante. Trabalhamos vários aspectos de uma forma que ninguém se sentiu diminuído e no final fizemos preces de agradecimentos e o aluno que se dizia ateu aceitou ficar ali no grupo... Isso mostra o quanto essa geração está evoluindo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

CRIANÇAS INDIGO



         QUEM SÃO AS CRIANÇAS INDIGO QUE ESTÃO NASCENDO POR TODA PARTE E QUE TRATAM OS ADULTOS DE IGUAL PARA IGUAL?

Por que são tão questionadoras e rebeldes? Como educá-las e como desenvolver seus potenciais? Como discipliná-las para que cresçam saudáveis e integradas à família e à sociedade?
Por toda parte, crianças, jovens e adultos índigo estão provocando reações e mudanças.São crianças que apresentam um comportamento ainda não classificado pela psicologia.
Muitas vezes rebeldes, os indigos são geralmente contestadores ao extremo, indiferente à autoridade.
As crianças índigo de hoje constituem uma amostra do que será a humanidade no futuro. Essas crianças vão nascer em número cada vez maior, por todo o planeta, de modo que um dia será a maioria na Terra.
Os índigos são algo mais do que simplesmente criaturas superdotadas. Elas vem ao mundo nada mais nada menos  para mudar a natureza  humana. Mudar a natureza do comportamento humano é possível. As crianças índigo apresentam um nível mais elevado de consciência. São os embaixadores da paz, os precursores da fraternidade que sentiremos mais efetivamente a partir de 2012. É uma nova era na qual os filhos dos índigos, que já estão sendo chamados de pacificadores, estarão trabalhando com sucesso por uma paz nunca antes vislumbrada na história da humanidade.
Os índigos possuem muita sabedoria.É interessante observá-los. Parecem ter na ponta da língua, uma lista de questões e perguntas sérias sobre a vida, pronta para ser despejada em qualquer um que esteja disposto a ouvi-las.
TRABALHANDO FILME COM  GRUPO DE PRÉ-ADOLESCENTES E JOVENS

FILME: VIDA DE INSETOS


METODOLOGIA:
  1. Solicitação aos educandos que assistissem ao filme focando as atitudes positivas e negativas apresentadas pelos personagens;
  2. Ao terminar o filme desenvolvi a Dinâmica: TEMPESTADE CEREBRAL - cada um falava palavras ou sensações que lhe viesse à mente e eu as escrevia em cartolinas;
  3. Cada equipe apresentou sua relação das atitudes positivas e negativas encontradas ao longo do filme;
  4. Houveram comentários relacionados a várias atitudes relaionando-as com a realidade do grupo - experiências de convivência;
  5. Pedi que cada um desenhasse a cena que mais gostou do filme;
  6. Juntamos todos os desenhos, ordenamos e formamos um livreto com os mesmos. - Esse foi o produto final desse trabalho.


Os educandos perceberam a nova ótica de assistir a um filme analisando e debatendo, pois muitos já haviam assistido o mesmo filme, porém não tiveram essa percepção.


Veja a relação dos aspectos que foram observados pela turma:


PONTOS POSITIVOS:
  1. Inovação
  2. Coletividade
  3. criatividade
  4. Solidariedade - ajuda ao próximo
  5. Confiança
  6. Amizade
  7. Iniciativa
  8. Mudanças de Atitudes
  9. Perseverança
  10. Espírito de Liderança
  11. Motivação
  12. Talentos
  13. Planejamento de Trabalho - esquema
  14. Divertimento
  15. Arte
  16. Teatro
  17. União
  18. Força
  19. Libertação
  20. Superação
  21. Esperança
  22. Sociabilidade
  23. Respeito às diferenças
  24. Inovação
  25. Mudança de paradgmas
  26. Reparação do Ato da Mentira
  27. Repensar o problema e buscar uma nova solução
  28. Celebração da Conquista do Grupo


ALGUNS PONTOS NEGATIVOS APONTADOS PELA TURMA:


  • Comodismo
  • Medo de enfrentar novas situações
  • Preso ao processo antigo - tradicionalismo
  • Poder - força dominadora
  • Opressão - opressor e oprimidos
  • Falta de confiança
  • Mentira
  • Preconceito
  • Desânimo
  • Desistência
  • Violência
  • Agressão física e verbal
  • Sentimento de Fracasso


REALMENTE ESSE TRABALHO FOI FANTÁSTICO. TRABALHAR COM FILMES EDUCATIVOS É UMA FORMA DE EDUCAÇÃO E  AUTOEDUCAÇÃO. POIS TAMBÉM APRENDI MUITO COM ESSAS ATIVIDADES. VISTO QUE JÁ HAVIA DESENVOLVIDO VÁRIAS OUTRAS ATIVIDADES COM ESSE FILME COM OUTROS GRUPOS. VALEU A PENA!!

sábado, 5 de novembro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

DIÁRIO DA FAMÍLIA DE FULANO DE TAL

Essa técnica consiste em criar uma oportunidade na qual toda família do paciente possa registrar suas opiniões, ideias, dúvidas, divergências, sentimentos e outras possibilidades de expressão.

Comecei a desenvolver a mesma com alguns pacientes dos quais não tive a oportunidade de estar em contato com os membros da família por diversos motivos. No entanto, no caderninho que passou-se a ser chamado de Diário da Família foi-se registrando aos poucos muitos textos com diferentes olhares a respeito do problema apresentado pelo paciente, pois oportunizava-me fazer uma análise da visão dos demais da família. Além disso, diante das colocações divergentes, um membro da fmília comecava a ver o ponto de vista do outro. Nas oportunidades de reunião com o grupo familiar poderíamos debater os pensamentos, as dúvidas e até mesmo opinar por atitudes que poderiam melhorar o quadro do paciente.

Essa mesma técnica foi trabalhada de forma individual com o paciente. Chamada de DIÁRIO DE FULANO DE TAL, na qual o mesmo registrava as suas atividades rotineiras, desenvolvendo as habilidades de leitura e escrita e ao mesmo tempo refletindo sobre o que acontece no seu dia a dia.

Esse registro diário ajuda muito entender a rotina do paciente e da família, apresentando vários pontos de partida para análise dos problemas e das dificuldades de aprendizagem e de relacionamento social.

CRIAÇÃO DE UM PERSONAGEM PODEROSO

A TÉCNICA É A SEGUINTE:
1. Primeiro pede-se ao paciente que  faça uma modelagem de um boneco (personagem), que deve ter uma identidade, um nome.
2. O personagem deve ganhar vida e ter super-poderes.
3. Através dO FAZ-DE-CONTA deverá imaginar-se como o personagem com super poderes.
4. Desenhar o personagem numa folha de papel depois de desenvolver algumas brincadeiras.
5. Escrever uma história com o seu personagem. (caso ainda não saiba escrever pode ser oralmente) 















ATRAVÉS DESSA TECNICA PODE-SE TRABALHAR VÁRIOS ASPECTOS. PODEMOS CITAR ALGUNS, TAIS COMO: A CRIATIVIDADE, A LEITURA E A ESCRITA, AMPLIAR O PODER DA IMAGINAÇÃO E DA FANTASIA, ALÉM DE DESENVOLVER ASPECTOS PSICOLÓGICOS COMO POR EXEMPLO, O PACIENTE PODE EXPLICITAR ALGO QUE AINDA NÃO CONSEGUIU REALIZAR POR NÃO  SENTIR-SE COM CAPACIDADE. PODENDO ASSIM, DESENVOLVER NOVOS POTENCIAIS.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

ENTREVISTA

Por que, dentre as outras possíveis especializações do curso de pedagogia, você optou por psicopedagogia?
Sempre gostei de desafios e é uma área muito ampla de grandes descobertas. A psicopedagogia é muito multidisciplinar. É preciso muita pesquisa, muito estudo e experimentos. A cada momento posso tanto na área de educação como na saúde desenvolver vários projetos, técnicas fantásticas. A cada dia me apaixono pela psicopedagogia. Posso diversificar meu trabalho e desenvolver parcerias com especialistas doutras áreas afins.
O que este curso lhe proporcionou de mais relevante?
Essa especialização me fez inovar minha prática educativa. Tenho um novo olhar  diante das diversidades, das dificuldades e dos problemas de aprendizagem. Conseguir ampliar meus conhecimentos com práticas específicas e metodologias bem diversificadas.
Em seu ambiente de trabalho, você somente exerce a função de psicopedagogo?
Como já afirmei, a psicopedagogia é multidisciplinar, isso me leva a descobrir várias maneiras de enchergar determinadas problemáticas. Acredito que num primeiro momento me venho como educador. Esse é o meu principal papel, daí é que vem o especialista que observa, analisa, faz o diagnóstico e quando for preciso a intervenção.
Como é a seu cotidiano no trabalho? O que você necessariamente realiza como psicopedagogo?
Realizo entrevistas, diagnósticos através de uma diversidade de atividades  e testes psicopedagógicos, como provas piagetianas e outras, intervenções, terapias psicopedagógicas, palestras, orientações, dinâmicas de grupo. Tudo isso relacionado a questão da aprendizagem humana.
Quais técnicas ou métodos que você utiliza?
São diversas. Isso vai depender do problema e de cada paciente. Na maioria das vezes faz-se uma junção (música - arte – pintura – desenho – colagem – jogos educativos), a caixa de areia, o teatro de fantoches (psicodrama), pintura de rabiscos e  construção de mandalas, dentre outras. Temos entrevistas individuais e coletivas, terapia familiar, orientações aos pais e mães, aos professores/professoras.
Qual a satisfação, o reconhecimento de exercer esta profissão?
A satisfação é muito boa. Principalmente quando chega um pai ou uma mãe sem saber o que fazer com o filho ou filha e, dentro de um certo espaço de tempo começa a aparecer os primeiros sinais de mudança, não somente na criança, mas também nos que acompanham a mesma.
Você já atuou como psicopedagogo como funcionário de alguma escola? Qual a diferença, pra vc?
No momento, eu trabalho somente na minha clínica psicopedagógica, entretanto, atuo dando palestras em escolas e empresas, orientação aos pais/mães e em atividades de dinâmicas de  grupos de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

Como surgiu a ideia de trabalhar a psicopedagogia numa clinica?
por conta da carência nessa área aqui na nossa região e pelo olhar diferenciado que se pode ter das dificuldades, dos problemas e dos distúrbios de aprendizagem. Há muitos pais/mães por ai com tantos problemas e na maioria das vezes não sabem o que fazer, muito menos a quem encaminhar-se.
O que o motiva profissionalmente?
Saber que o pouco que realizo faz a diferença, que a cada sessão, o paciente vai se descobrindo e passa a conhecer seu problema e encontrar uma saída. Sei que sou um instrumento para que essas pessoas possa ser mais felizes.
Quais já foram os seus objetivos alcançados com este trabalho? Quais ainda faltam alcançar?
Criar um espaço que garanta a confiança do paciente e da família, a capacidade de desenvolver um trabalho que se obtém um bom resultado, na realização profissional (não incluindo aqui a questão financeira), as capacitações  desenvolvidas nessa área, a montagem do acervo de leituras relacionadas a várias temáticas, a participação em congressos e conferências, dentre outras.
Projetando o futuro, me vejo coordenando um  centro multidisciplinar que tenha diversos especialistas de várias áreas e que nesse mesmo espaço aconteçam oficinas de musicoterapia, arterapia, psicodrama, jogos esportivos, artes dramáticas e brinquedoteca.







segunda-feira, 25 de julho de 2011

VIOLÊNCIA X CIDADANIA


A CIDADANIA É O CAMINHO PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

A cidadania não se limita a uma palavra, uma idéia, um discurso, nem está fora da vida da pessoa. Ela começa na relação do homem consigo mesmo para, a partir daí, expandir-se até o outro, ampliando-se para o contexto social no qual esse homem está inserido. É uma nova forma de ver, ordenar e construir o mundo, tendo como princípios básicos os direitos humanos, a responsabilidade pessoal e o compromisso social na realização do destino coletivo.
A experiência nos mostra que é necessário um trabalho de reconhecimento e valorização dos direitos e deveres do cidadão, para que eles sejam respeitados e cumpridos, já que o seu exercício não ocorre de forma automática.
As escolas precisam ter como propósito projetos para oportunizar e estimular a reflexão e o debate sobre a questão dos direitos humanos, permitindo a construção de uma nova ética e um novo tipo de convivência social. Com este objetivo deverão ser trabalhados instrumentos que embasam o exercício da cidadania, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e Estatuto da Criança e do Adolescente.
Dentre os diferentes temas que podemos citar, destaca-se a violência, que aparece não apenas sob forma de agressão física, mas, também, como privação de direitos, desqualificação social, transformação do indivíduo em objeto, ignorância, miséria e desemprego.
A violência não nasce dentro da escola. A sociedade está violenta, resultado da falta de políticas sociais e do descaso com a educação e com as crianças  e adolescentes. Daí, o reflexo imediato é na qualidade da educação. Professores e alunos ficam desmotivados, pois o ambiente escolar deixou de ser convidativo e causa até mal estar.
O contexto econômico é um dos fatores responsável por atritos. Os alunos que estudam em escolas públicas têm consciência da falta de qualidade e das chances reduzidas de passar no vestibular e ingressar no ensino superior.
A violência pode ter causas mais profundas: está ligada à desagregação familiar, à omissão dos pais e até mesmo à falta de perspectivas.
No Brasil das desigualdades, alguns largam na frente, beneficiados pelas boas condições sociais proporcionadas pelos pais, e muitos entretanto, dão a partida em clara desvantagem, carregando ônus de ingredientes como desagregação familiar, desemprego dos pais, subnutrição, falta de acesso aos produtos culturais, desinformação, exposição à violência, baixo auto-estima.
Criar condições de superação dessas faltas e estimular adequadamente crianças e adolescentes carentes é uma missão para a qual o Estado tem se mostrado incapaz – ou negligente. A sociedade – principalmente por meio de organizações não-governamentais – aprendeu a tomar para si iniciativas que têm atenuado as distorções que transformam em abismo a distância entre ricos e pobres deste País.
Embora não sejam solução e revelem com crueza o quanto o governo deve à população que lhe caberia assistir, essas ações cívicas de resistência e avanço nos permitem afirmar que os brasileiros são melhores que sua elite – e um dia vão presenciar uma nação justa, em que a infância e o direito à educação não sejam uma corrida de obstáculos.
Não podemos, jamais, esquecer que a cidadania, no trabalho com o grupo, se constrói pelo reconhecimento e respeito às diferenças individuais, pelo combate aos preconceitos, às discriminações (econômica, política, sexual, cultural etc.) e aos privilégios, pela participação no processo grupal, pela ampliação da consciência em relação aos direitos e deveres e pela confiança no potencial de transformação de cada um.
A cidadania não é um discurso, precisa ser vivenciada para ser incorporada pelo grupo, incluindo todos nesse processo de transformação social. A cidadania é construída  no exercício das pequenas coisas do cotidiano, abrangendo não apenas os direitos,mas, também, os deveres, gerando compromisso, responsabilidade e participação.
É importante estimular o protagonismo juvenil como exercício da cidadania, envolvendo o adolescente na discussão e resolução de problemas concretos do seu cotidiano, assim como nas questões de interesse coletivo, incentivando sua participação em associações (ecológicas, culturais, estudantis etc.) e em movimentos sociais mais amplos.
Sem esse espaço de descoberta e experimentação social, a transição do adolescente para o mundo adulto se faz sem práticas e vivências fundamentais para o desenvolvimento da sua consciência ética e do seu compromisso cidadão.
Ser cidadão significa estar na vida e no mundo, sentindo-se parte integrante do gênero humano, peça singular do quebra-cabeça da história, participante ativo do esforço de mudança da sua realidade social, deixando por onde passa sua marca. É mais que sobreviver, é mais que viver com prazer, é gozar da existência.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

BULLYNG - VIOLÊNCIA NA ESCOLA



A  violência é o conjunto de incivilidades freqüentes no cotidiano escolar, como agressões verbais e físicas, brincadeiras muito agressivas, humilhações, indisciplina exagerada e especialmente, ameaças. Com menor freqüência apareceu um tipo específico de agressão, que é quando uma turma de alunos se reúne e bate em um colega, em geral no horário da saída da escola.
A palavra bullyng ainda é pouco conhecida do grande público. De origem inglesa e sem tradução ainda no Brasil, é utilizada para qualificar comportamentos violentos no âmbito escolar, tanto de meninos quanto de meninas. Dentre esses comportamentos podemos destacar as agressões, os assédios e as ações desrespeitosas, todos realizados de maneira recorrente e intencional por parte dos agressores.
É fundamental explicitar que as atitudes tomadas por um ou mais agressores contra um ou alguns estudantes, geralmente, não apresentam motivações específicas ou justificáveis. Isso significa dizer que, de forma quase “natural”, os mais fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão, prazer e poder, com o intuito de maltratar, intimidar, humilhar e amedrontar suas vítimas.
Não há como negar que vivemos tempos difíceis, em que a violência e a agressividade infantojuvenil são crescentes e ameaçam a todos nós. Seja como pais ou educadores, seja como membros de uma coletividade, de um estado ou de toda a sociedade, nenhum de nós está imune a essas circunstâncias.Direta ou indiretamente sofremos efeitos dessa forma de agir adotada por muitos dos nossos jovens. Auxiliar e conduzir as novas gerações na construção futura de uma humanidade mais atenta a seus excessos e enganos, mais justa e menos violenta, é um compromisso de todos nós, que habitamos o planeta e devemos nos incumbir.
Para professores, alunos e administração, o cotidiano se apresenta caótico. É a idéia de caos que permanece, a impressão de que ‘tudo pode acontecer’, de que se vive ‘em uma selva’. Assim, os agentes escolares procuram resolver os eventos de violência como é possível a cada momento, sem conseguir distinguir os diferentes fatores presentes em cada caso e, portanto, sem propor um projeto de desestruturação das causas, ou seja, a prevenção.
Há uma configuração de fatores, e não podemos deixar de dizer que é um fenômeno social característico das relações contemporâneas. Do ponto de vista psicopedagógico, existem causas no funcionamento do estabelecimento, nas relações pedagógicas e nos modelos de resolução de conflitos.
 A escola precisa propor espaços e alternativas para a resolução dos conflitos intrapessoais, interpessoais e com a instituição. É também uma questão de aprendizagem, de conhecer formas saudáveis de lidar com as contradições.
 É imprescindível estarmos atentos aos sinais, atentos ao que está ocorrendo. Não é preciso esperar que um aluno apareça armado para percebermos que há necessidade de intervir. A escola não pode deixar passar o clima de agressões freqüentes apenas como se fosse ‘o jeito dos alunos’. Em linhas gerais, eu diria que tudo começa com o respeito ao professor como profissional (refiro-me a salário, condições de trabalho, hora atividade, etc...). Em seguida, uma escola bem cuidada. A valorização do diálogo, o envolvimento dos educadores, e a aprendizagem como trabalho principal da escola, em suma, dar visibilidade para os esforços concretos de promover a aprendizagem.
Os agressores apresentam, desde muito cedo, aversão às normas, não aceitam serem contrariados ou frustrados, geralmente estão envolvidos em atos de pequenos delitos, como furtos, roubos ou vandalismo, com destruição do patrimônio público ou privado. O desempenho escolar desses jovens costuma ser regular ou deficitário; no entanto, em hipótese alguma, isso configura uma deficiência intelectual ou de aprendizagem por parte deles.
Muitos apresentam, nos estágios iniciais, rendimentos normais ou acima da média. O que lhes falta, de forma explicita, é afeto pelos outros. Essa afetividade deficitária (parcial ou total) pode ter origem em lares desestruturados ou no próprio temperamento do jovem.
O quadro que se apresenta quando falamos de violência no meio escolar é complexo. Não acredito que pensar em drogas ilegais como causa principal seja o melhor caminho. Entre os usuários, nem todos são necessariamente descontrolados e violentos. Mas é inegável que a hierarquia de poder, os valores mercantilistas e a violência (inclusive armas) que estão associados ao tráfico compõe uma situação assustadora.
Nesse sentido, as drogas podem ser um fator de agravamento da situação de violência, de sentimento de caos nas escolas. Sua ausência não garante, no entanto, a existência de respeito e diálogo. As drogas não eram centrais na discussão sobre a violência. Os valores dos jovens  é que apontavam um possível crescimento da presença das drogas para o futuro, através de uma identidade relacionada ao sentido da vida, às representações. Este é o problema maior: quando para a juventude, o trabalhador é o ‘trouxa’ e o herói é o bandido, é ele que tem o espaço na mídia, a atenção. Nesta perspectiva sai valorizada a droga, o individualismo, a competição, o consumo, o dinheiro,as agressões, o desrespeito, a violência.  
 Quando  a comunidade está presente na escola tomando decisões, gerindo e participando, os índices de violência, vandalismo e insegurança são menores. É bem provável que as duas variáveis, ou seja, escolas bem cuidadas e participação da comunidade sejam concomitantes.
 A naturalização da presença de armas de fogo, o fácil acesso a elas, e a valorização de seu uso na mídia e na vida, são fatores que também nos chamam a atenção, trazem consigo a mensagem do outro como inimigo.
 As condições materiais são importantes, mas as condições humanas – valores, crenças, cultura, visão de homem e sociedade, interações, aceitação e inclusão social e escolar – nos fazem humanos, dão sentido e norteiam nossas ações.
 A educação, como a vida em sociedade em geral, deve desfrutar do conforto material e de uma administração eficiente, mas são os propósitos que lhe dão sentido e importância. Ainda assim, mesmo numa situação idealizada, a condição humana tem desafios acima de nossa compreensão. E, creio, temos que conviver com isto, com a nossa impotência também.
Identificar os alunos que são vítimas, agressores ou espectadores é de suma importância para que as escolas e as famílias dos envolvidos possam elaborar estratégias e traçar ações efetivas contra o bullyng. Cada personagem dessa trama apresenta um comportamento típico, tanto na escola como em seus lares. Cabe à sociedade transmitir às novas gerações valores e modelos educacionais nos quais os jovens possam pautar sua caminhada rumo à sua vida adulta de cidadão ético e responsável.
Para conhecer mais sobre essa temática, além de pesquisar na internet, indico o livro “bullyng – mentes perigosas nas escolas” de Ana Beatriz Barbosa Silva e que assista ao filme    “Bullying – provocações sem limites” sob direção de Josecho San Mateo.